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Por que aprender uma outra língua (além do inglês)? Razões pelas quais você deveria aprender idiomas

Mas Luiz. Eu já falo inglês fluentemente. É sério que você está me sugerindo isto?

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Bem, aprender várias línguas não é uma tradição muito forte no Brasil, sobretudo porque temos um único idioma oficial.

Em Portugal as coisas são um pouco diferentes já que além da proximidade com outros países europeus, com o Erasmus é relativamente fácil para um estudante português estudar línguas, realizar intercâmbios ou até obter um grau estudantil em outro país europeu.

De todo o modo, no Brasil (como em outros países latino-americanos rodeados por problemas de desigualdade social) infelizmente aprender línguas foi durante muitos anos visto como algo destinado “pra gente rica”.

Ainda sim, vamos ser sinceros. Existem muitas coisas interessantes neste que pode ser o seu novo hobby!

Desta forma, coloquei abaixo alguns motivos pelos quais você deveria aprender uma outra língua agora mesmo!

O que você vai ler aqui?

  1. ‘Caramba! Você fala japonês! Considere-se contratado!’;
  2. Alguém falou em bolsas de estudo?;
  3. Um modo de construir um networking global;
  4. Vamos descobrir novas culturas;
  5. Você vai acabar aprendendo outras coisas;
  6. Isto vai mudar a forma como você vê o mundo;
  7. E isto vai ajudar você a localizar mais fontes de informação para estudo;
  8. Persistência + Aprender a Aprender + Métodos de Estudo + Autoconhecimento = um estudante de sucesso;
  9. Você vai ficar “viciado” em aprender línguas e insanamente curioso sobre a vida em outros países;
  10. E finalmente: este é um hobby saudável!;
  11. Razões rápidas.

“Caramba! Você fala japonês! Considere-se contratado!”

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Foram estas palavras que um amigo meu, recém-formado em engenharia civil, que decidiu se aventurar no mercado financeiro (existem vários que saem das obras para ir neste mundo) ouviu quando foi contratado por um grande banco aqui do Brasil.

E de primeira ele foi remanejado para trabalhar com o setor internacional do banco.

Muitos dizem para você que inglês é suficiente.

O problema é que hoje existem até doutorandos enfrentando o desemprego.

A competitividade no mercado profissional chegou a um nível tão grande que não basta você aprender inglês.

Com efeito, ter no seu currículo conhecimentos linguísticos mostrará outros pontos positivos ao entrevistador/ futuro empregador, além da sua proficiência em si:

  • a) a sua mente é aberta o suficiente para novas culturas;
  • b) você topa aprender algo novo e, por conseguinte, “quebrar a cara” e sair da zona de conforto;
  • c) possivelmente você teve alguma experiência internacional (e sabemos bem como as empresas valorizam isto);
  • d) você tem acesso a mais fontes de informação e acaba tendo mais facilidade de ampliar o networking.

Alguém falou em bolsas de estudo?

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Não vou esconder de você. É possível achar programas de mestrados e doutorados em inglês até em países como Japão, China, Rússia e, acredite se quiser: Tailândia, Israel, Líbano, Turquia e muitos outros países!

Portanto, novamente você poderia pensar: “ok, o inglês é suficiente. Certo?”.

Mais ou menos.

Países como Alemanha, Japão, China e Coreia do Sul são mundialmente reconhecidos por anualmente oferecerem diversas bolsas de estudo com valores financeiros bastante generosos.

Entretanto, no tocante ao país germânico, há de se lembrar da famosa bolsa Winterkurz ofertada pelo DAAD (Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico), destinada para estudantes de alemão que tenham ao menos o nível B1 de alemão, a fim de que estes passem alguns meses na Alemanha para aprimorarem as habilidades da língua alemã.

Isto sem falar de outras bolsas de graduação e, sobretudo, mestrado e doutorado inteiramente em alemão.

Quanto aos países asiáticos que mencionei acima, todos eles oferecem bolsas similares por meio de suas embaixadas ou consulados.

E adivinha!

A maioria destas bolsas tem como requerimento que o candidato tenha determinado nível de habilidade com a língua de seu país, como a bolsa de língua e cultura japonesa oferecida pelo Governo do Japão, a qual tem como requisito, dentre outros, que o candidato tenha nível intermediário ou avançado da língua japonesa.

Ademais, mesmo que o edital da bolsa de estudo apenas a língua inglesa como exigência linguística, é sempre importante lembrar que candidaturas para bolsas de estudo tendem a ser concorridas.

Assim, imagine que você queira ir para a Coreia do Sul. O comitê de seleção está avaliando o seu currículo e o de outro concorrente. Contudo, antes do processo seletivo da bolsa você pensou que não bastaria o inglês e decidiu aprender pelo menos o básico de coreano.

Por outro lado, o seu concorrente pensou que inglês seria suficiente, afinal: “tem como se virar com o inglês na Coreia, né Luiz? Tem bastante curso em inglês por lá”.

Na verdade “se virar” na Coreia do Sul somente com o inglês, principalmente para estudar, é algo complicado. Porém conversaremos sobre isto em outro momento.

Quem você acha que ganha esta disputa?

Dica: ganha aquele que mostrou interesse em aprender mais, isto é, você.

E por sinal, poderá checar bolsas de estudo na Coreia do Sul neste link.

Um modo de construir um networking global

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Até agora escrevi muito sobre oportunidades acadêmicas e profissionais.

Vamos um pouco mais adiante agora.

Aprender línguas estrangeiras vai abrir os seus horizontes. Afinal de contas, você vai estar apto a conversar com pessoas de diferentes países e, como resultado, conhecerá novas culturas que nunca tinha experimentado antes.

Desta maneira, você perceberá que o mundo é muito maior que imaginava.

Mas voltemos a discutir sobre o networking.

Lembro-me que quando era um calouro da Escola de Direito e tinha um objetivo de aprender inglês e espanhol.

O problema é que o começo foi bastante difícil porque sinceramente não via muito sentido naquilo.

Me perguntei várias vezes: “por que estou aprendendo esta língua se não conheço ninguém para conversar?”. E o problema é que apesar de possuir certos conhecimentos de leitura, sequer sabia iniciar uma conversa em inglês ou espanhol.

A solução veio rapidamente: “e se tentar localizar falantes nativos na Internet?”.

Logo, me inscrevi em sites de amigos por correspondência e de troca de línguas. E então as coisas finalmente começaram a fluir.

Encontrei muitas pessoas que se tornaram parceiros linguísticos, amigos de correspondência e até melhores amigos que sempre estão dispostos a me mostrar o quão legal é a cultura deles.

E falando em culturas…

Vamos descobrir novas culturas?

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Em 2011, assisti Quem Quer Ser um Milionário, o qual se tornou um dos meus filmes favoritos devido a vários motivos.

Bem, nunca tinha visto qualquer filme cuja história se desenrolasse na Índia e isto por si só já me inspirou a descobrir mais detalhes sobre este país asiático.

Porém, havia alguns problemas.

Era um estudante de ensino médio que pertencia a uma típica família de classe média. Por conseguinte, viajar para a Índia estava realmente fora de cogitação.

“E se eu aprender a língua Hindi?”.

Aprender Hindi foi a maneira mais barata, contudo interessante, que encontrei para interagir com a cultura indiana.

Ao lado disto, comecei a ler notícias da Índia bem como ficções e não-ficções escritos por autores indianos e assistir filmes de Bollywood. Como resultado, descobri que a Índia era muito mais que o Taj Mahal.

Estava no meu último ano no ensino médio. Portanto, tinha muito pouco tempo para continuar estudando a língua Hindi.

A despeito disto, mantive o habito de ler livros e notícias sobre a Índia.

Conheço muitas pessoas que começaram a aprender alemão e japonês logo após terem lido Kafka ou manga. Existem até mesmo aquelas pessoas cuja principal inspiração para aprender russo é o sonho de um dia estar apto a ler todos os livros do Dostoievski ou Tolstói na língua original.

Já imaginou como é legal conseguir ler livros ou assistir filmes em suas línguas originais?

Você vai acabar aprendendo outras coisas

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Sabia que aprender línguas estrangeiras tem toda a relação com estudar programação?

E depois pretendo escrever a minha experiência sobre como a lógica em aprender línguas me ajudou a aprender Java, C++ e mais recentemente HTML (conhecimento este que por sinal usei para editar este site).

Tenho amigos que ao aprenderem outras línguas, se motivaram desde a investir em ações de empresas multinacionais na bolsa, até cantar músicas estrangeiras nas horas vagas.

Isto vai mudar a forma como você vê o mundo

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Em decorrência de razões políticas, linguísticas, históricas e outras, uma pessoa da Tailândia e do México podem interpretar uma mesma notícia de maneiras diversas.

E existe uma razão linguística para isto.

Lera Boroditsky é uma famosa professora de línguas que falou sobre “How Language Shapes the Way We Think” (Como a Língua Molda a Forma Como Nós Pensamos, em traduação literal) em um evento de apresentações do TED.

Durante a sua apresentação, Lera destaca, dentre outros tópicos, que a maneira como nós vemos as cores está relacionado com o idioma que estamos falando.

Por exemplo, na língua inglesa existe uma única palavra que cobre uma ampla variedade de cores. Por outro lado, na língua russa existe uma específica palavra para descrever cada tonalidade da cor azul, por exemplo.

E certamente, o modo como descrevemos até aqueles simples eventos do dia-a-dia podem mudar de acordo com a nossa língua, afinal em determinados idiomas, nós tendemos a focar mais no sujeito do que no objeto ou vice versa.

E isto vai ajudar você a localizar mais fontes de informação para estudo

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Certa vez, Tyrion Lannister (um dos protagonistas de ‘As Crônicas de Gelo e Fogo’ e ‘Game of Thrones’) disse:

“Meu irmão tem a sua espada, Rei Robert tem o seu martelo e eu tenho a minha mente… e uma mente precisa de livros como uma espada precisa de pedra de amolar para mantê-la afiada. Por isso eu leio tanto”.

Felizmente, hoje em dia todas as pessoas (independentemente da classe social) podem adquirir conhecimento sobre qualquer coisa na Internet. Isto significa que nós temos uma imensurável fonte de informação!

Todavia, muitos livros e artigos ainda não foram traduzidos em diversas línguas, inclusive para a língua portuguesa.

Aqui no Brasil, os estudantes que desejam ingressar em um programa de pós-graduação para obter os graus de mestrado e doutorado necessitam comprovar a proficiência em uma ou mais língua(s) estrangeira(s).

Muitas universidades ao redor do mundo possuem este mesmo requerimento.

Mas por quê?

Vamos imaginar que você deve desenvolver uma pesquisa sobre a vida rural na China, por exemplo.

Este é um tremendo desafio para quem não sabe nada da língua chinesa.

É certo que existem grandes departamentos, centros de pesquisa e institutos sobre Ásia no Ocidente, podendo se destacar a School of Oriental and African Studies (Escola de Estudos Orientais e Africanos) University of London, o Asia Center da Harvard University, o Institute of Asian Studies da UC Berkeley, o Centre South AsiaCentre for East Asian Studies, ambos da Universität Heidelberg e muitas outras que produzem publicações acadêmicas de altíssima qualidade sobre Ásia e disponíveis em inglês e outras línguas do Ocidente.

Igualmente, muitos sociólogos e antropólogos chineses como o Fei Xiaotong tiveram seus livros traduzidos para inglês, espanhol e outros idiomas.

No entanto, nesta situação, aprender chinês vai garantir uma vantagem competitiva na sua universidade, vez que você estará apto a ler livros e artigos acadêmicos que foram escritos somente em chinês.

Lembre-se que muitos estudantes e pesquisadores tendem a somente pesquisar matérias em sua língua nativa.

Persistência + Aprender a Aprender + Métodos de Estudo + Autoconhecimento = um estudante de sucesso

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Em 2015, Jon Stewart entrevistou o ex-presidente americano Barack Obama no programa The Daily Show.

Obama mencionou que quando foi eleito e a sua administração iniciou os seus trabalhos na Casa Branca, os membros de sua equipe perceberam que os Estados Unidos estavam enfrentando diferentes tipos de desafios (e eles eram muitos).

Lembrando que Obama assumiu a administração do governo dos Estados Unidos durante a crise financeira de 2007-2008.

Apesar da adversidade do momento, ele e a sua equipe perceberam que poderiam avançar a bola a todo o momento pelo campo.

Então Obama explicou que a despeito do seu método de resolução de problemas não permitisse ele e a sua administração marcar um “touchdown” (pontuação no futebol americano que vale 6 pontos) todos os dias, era sempre possível mover a bola para frente.

Afinal, o que podemos aprender com esta experiência de Obama na administração pública?

Para começar, isto que Obama descreveu se chama: persistência.

E se tem algo importante que os esportes nos ensinam é a importância de continuar avançando.

É importante notar que aprender línguas não vai somente lhe ensinar como aprender idiomas, mas sim vai potencializar outras habilidades.

De fato, ao estudar idiomas, você vai desenvolver diversas habilidades (junto com a habilidade do networking que mencionei acima) e isto inclui, skills de estudo. E o objetivo da fluência em uma língua somente é atingido mediante persistência e consistência.

Isto vai lhe mostrar que atingir pequenos objetivos é muito importante para chegar a grandes sonhos. Ou você realmente espera aprender e memorizar por um longo prazo mais de mil kanji em menos de uma semana?

Em 2012, tentei aprender japonês e falhei porque não seguia um método de estudo para estudar este idioma. E também não tinha persistência e consistência.

Então, quando as dificuldades aumentaram, gradualmente comecei a ficar desencorajado em aprender esta língua asiática.

Alguns poucos anos depois fiz uma nova tentativa com a língua japonesa e finalmente fiz progressos neste idioma.

E como fiz isto?

Para resumir (depois escreverei sobre a minha experiência com a língua japonesa), encarei um processo de autoconhecimento, encontrei o estilo de aprendizado mais adequado com a minha rotina e até criei efetivos métodos de estudo.

Autoconhecimento é importante para escolher os melhores métodos para você. Afinal de contas, enquanto um determinado método de estudo é perfeito para você, poderá ser uma perda de tempo para outra pessoa.

Com efeito, prefere aprender com músicas? Vai em frente. Ou talvez com filmes, escrevendo cartas e tentando conversar em frente do espelho ou com alguma pessoa? Boa sorte.

Por fim, também descobri como equilibrar minhas tarefas diárias e melhorei a concentração no aprendizado.

Você vai ficar “viciado” em aprender línguas e “insanamente” curioso sobre a vida em outros países

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Se você entrar em um grupo de poliglotas neste exato momento, rapidamente perceberá que muitos membros deste grupo não estão somente curiosos em aprender como dizer “bom dia” em árabe ou filipino, mas interessados em descobrir o que pessoas de diferentes países pelo mundo comem no café da manhã, por exemplo.

Em minha opinião, curiosidade é uma das mais interessantes e importantes características que uma pessoa pode ter.

Como Bill Gates disse durante uma entrevista com Charlie Rose na Columbia University: “curiosidade é uma coisa incrível”.

E cá entre nós, você pode imaginar como deve ser bom falar francês fluentemente, por exemplo?

Todo mundo conhece os principais pontos turísticos de Paris, Lyon ou de qualquer lugar da Côte D’Azur. Não obstante, como deve ser a vida na França? E se você falasse francês e pudesse interagir com os franceses a fim de descobrir outra parte da França que não é mostrada nos guias turísticos?

E depois que você tiver alcançado a fluência em uma língua estrangeira, você terá mais experiência. Por consequência, tenderá a aprender outras línguas mais rapidamente.

Aprender línguas significa descobrir um novo mundo cheio de oportunidades e coisas interessantes.

E finalmente: este é um hobby saudável!

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Em 2014, jornalistas da BBC publicaram uma reportagem muito interessante baseado em uma pesquisa coordenada por professores da University of Edinburgh.

A pesquisa mostrou que pessoas que falam duas ou mais línguas tinham significantes melhores habilidades cognitivas (em leitura, por exemplo) em contraste com os resultados esperados.

A melhor parte desta pesquisa é que ela afirma que estes efeitos positivos perduram entre os jovens e até pessoas mais velhas!

Adicionalmente, uma reportagem muito interessante da Revista Galileu traz uma série de pesquisas as quais afirmam, por exemplo que, aprender línguas: a) faz diminuir os riscos de uma pessoa ter um Alzheimer ou demência; b) a memória é fortalecida; c) melhora a capacidade de tomar decisões; d) a percepção fica mais aguçada e outras vantagens.

Razões rápidas:

  • Isso pode encorajar você a experimentar culinárias de países diferentes;
  • Você vai “chamar” a atenção de outras pessoas (poucas pessoas são poliglotas, certo?);
  • Você poderá trabalhar como professor de línguas estrangeiras e/ou guia turístico e ganhar um dinheiro extra;
  • Isto pode melhorar o seu foco e aumentar a sua atenção;
  • Você poderá evitar os “preços para turistas” (produtos que são vendidos por um preço mais alto porque são destinados para turistas);
  • Perceberá que consegue ultrapassar qualquer obstáculo para aprender algo.

About Luiz G.

Luiz Guilherme Natalio de Mello is a Brazilian Lawyer and Sociologist working on migration and environmental issues. He speaks English, Portuguese, Spanish, French, and German. Luiz is currently doing his best to improve French skills.

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